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19 de setembro de 2011

Logorama



Ano passado me deparei com o vencedor do Oscar 2010 na categoria curta de animação e achei fantástico. O filme mostra um mundo onde uma séria de logomarcas são as personagens principais da trama (a grande maioria delas é conhecida pelo grande público), que mostra a perseguição a um fugitivo (Ronald McDonald) que sai aterrorizando as ruas enquanto é perseguido por policiais "Michelin".

Neste curta, o mais interessante é que, como já citado acima, a grande maioria das marcas que aparecem são conhecidas por nós, o que mostra como que um trabalho de divulgação bem feito, seja ele através de ação promocional (panfletagem, entrega de brindes), ou uma campanha de marketing digital (hotsites, mailings, e-mail marketing, redes sociais) com um bom trabalho de comunicação visual,  trabalhado e divulgado de forma coerente e direcionado podem perpetuá-la por um logo período.

Vale a pena conferir.  São +/- 15min bem divertidos.

Espero que gostem.

15 de setembro de 2011

Propagandas: linguagem verbo-visual e dialogia

"Propaganda - gênero discursivo que se preocupa com a eficácia junto ao receptor e para isso dispõe tanto das palavras como das imagens. Vamos aqui analisar propagandas e os recursos dos quais elas se utilizam a fim de cumprir seu propósito comunicativo." 

"Propaganda - gender discourse concerned with the effectiveness with the receiver and it has both words and images. Here, we are going to analyze advertisements and resources which are used to meet their communicative purpose."

Duas propagandas de revistas femininas, veiculadas também na internet, foram selecionadas e sua análise foi feita considerando, como fundamentação, as contribuições teóricas sobre o conceito de dialogismo proposto por Mikhail Bakhtin* - compreendido nesse estudo como as situações que compõem o todo enunciativo, que só adquirem sentido ao serem contextualizados  – que impregnados de signos verbais e não-verbais transitam nas diferentes linguagens publicitárias, valendo-se de interferências oriundas da cultura.

Two advertisements for women's magazines, also broadcast on the Internet, were selected and their analysis were performed considering the theoretical contributions on the concept of dialogue proposed by Mikhail Bakhtin * - understood in this study as the situations that make up every statement that only make sense when they are contextualized - which impregnated and non-verbal signs in different languages ​​verbal transit advertising,making use of interference from the culture.

A interação entre a linguagem verbal e a não verbal é essencial na construção desse gênero, ou seja, a multimodalidade do gênero “propaganda” é o que realmente o torna eficaz. O emissor, aliando essas ferramentas à sua criatividade, (considerando o leitor pressuposto, o estilo da revista e seu próprio estilo, fazendo sua entoação avaliativa e exigindo uma atitude responsiva do enunciatário) faz as escolhas verbo-visuais para que o propósito comunicativo do gênero seja atingido. 

Note que: comunicar-se, implica estabelecer relação entre dois elementos que interagem entre si, fazendo uso das diferentes  linguagens existentes: a verbal e a não verbal.  No entanto, essa escolha não é aleatória, na verdade ela é fruto da ideologia da sociedade, de um grupo ou do próprio criador. As propagandas, por serem dialógicas, estabelecem relações de sentido entre o discurso do enunciador e o enunciatário. Dessa relação dinâmica e histórica surge o tema. 

Se, conforme afirmamos, o estilo define-se dialogicamente, achamos então importante explicitar melhor o conceito de dialogismo na teoria bakhtiniana.  De acordo com Fiorin (2006), “o conceito de dialogismo é o princípio unificador da obra de Bakhtin” (p.18). Devido ao seu modo de funcionamento real, a linguagem tem a propriedade de ser dialógica. E essa relação dialógica não se relaciona apenas à interação face a face, mas a todos os enunciados no 4 processo de comunicação, chamados de  formas composicionais. Nesses enunciados há sempre um diálogo interno entre o discurso do enunciador e o discurso do outro. Por isso, todo discurso é atravessado pelo discurso do outro. O dialogismo ocorre sempre entre discursos e refere-se às relações de sentido que são estabelecidas entre dois enunciados. Quanto aos enunciados, na concepção de Bakhtin, eles constituem-se nas unidades reais de comunicação; têm autor e destinatário; são irrepetíveis; são sempre históricos; são dialógicos; têm sentido; permitem uma resposta. Por esses traços é que enunciados e unidades da língua se diferenciam. Assim, podemos concluir que todo enunciado é heterogêneo, pois revela duas posições: a sua e a do outro. E essa relação estabelecida entre o seu discurso e o do outro é uma relação dialógica contraditória.



Na propaganda selecionada, observando as escolhas verbovisuais do enunciador, podemos afirmar que elas foram feitas levando-se em consideração a ideologia de nossa sociedade atual e a representação social da mulher. Podemos justificar essa afirmação ressaltando alguns aspectos, ou seja, analisando o tema dessa propaganda, que nada mais é do que a interação existente entre os recursos verbais e os extraverbais, como afirmamos acima. | In the selected advertisement, by observing the verbal-visual choices of the speaker we can say they were made considering the ideology of our society and the representation of women in society. We can justify this statement highlighting some aspects, ie, analyzing the theme of this propaganda, which is nothing more than the interaction between the verbal and extraverbal resources, as stated above.




A segunda propaganda, retirada da mesma fonte e, portanto, dirigida ao mesmo público-alvo, está relacionada a outro aspecto ideológico relacionado à mulher na sociedade contemporânea: o valor da sensualidade. Nossa sociedade está cada vez mais voltada para a sensualidade, a beleza, o sexo. E ter isso é o objetivo da maioria das pessoas. Então, a propaganda oferece o produto que pode fornecer às mulheres tais realizações, visto que se trata de uma propaganda de peças íntimas. A linguagem verbal vai enfatizar esse propósito. Usando a lingerie divulgada a mulher vai permitir-se ser feliz, pois vai ser capaz de realizar desejos, sonhar, querer, alcançar. A linguagem não- verbal mostra uma mulher sensual, delicada, magra, bonita e decidida. Quase tudo o que uma mulher precisa ter para se encaixar nos padrões atuais. | The second advertisement, taken from the same source and therefore addressed the same audience, is related to another ideological aspect related to women in contemporary society: the value of sensuality. Our society is increasingly focused on sensuality, beauty, sex. And having it is the goal of most people.Then, the advertisement offers the product that can provide women with such achievements, since it is an advertisement for underwear. Verbal language will emphasize this purpose. Using the disclosed lingerie women will allow themselves to be happy, because it will be able to grant wishes, dream, wish, to achieve.The nonverbal language shows a sensual woman, delicate, thin, beautiful and determined. Almost everything a woman needs to fit the current standards.

Texto adaptado de: 

» Peças publicitárias televisivas e impressas: possibilidades dialógicas - Vânia Penafieri de Farias
» A linguagem verbo-visual das propagandas - Amanda Maria Bicudo de Souza 
» Imagens: Google Imagens


3 de julho de 2009

Comunicação Visual - Elementos Visuais

Por volta de 1870, pesquisadores alemães iniciaram estudos sobre os fenômenos perceptuais humanos, em especial sobre a visão. Estes estudos objetivavam compreender como ocorriam os fenômenos perceptuais. Para tanto, utilizavam obras de arte em muitos destes estudos, a fim de entender o que se processava para que determinado recurso utilizado resultasse em determinado efeito. Estes estudos foram denominados Psicologia da Gestalt, também conhecida por Psicologia da Boa Forma, uma vez que o termo Gestalt não comporta uma tradução do idioma alemão para o português.
De acordo com a Teoria Gestaltista, existem leis que conduzem a percepção humana das formas, o que pode ser compreendido como conclusões acerca do comportamento natural do cérebro ao longo do processo de percepção.
A todo instante, recebemos informações constituídas por estímulos físicos e, para compreendê-los, desenvolvemos organizações perceptuais. Há várias formas de organizar esses estímulos. Essa ação ocorre de modo espontâneo, próprio de cada indivíduo.
O consciente, por sua vez, pode exercer um papel importante nesse processo, pois a organização perceptual ocorre dentro e fora da consciência: pode ocorrer de modo voluntário ou involuntário, ou seja, se o indivíduo desejar, poderá criá-la de modo consciente, mas se não o fizer, o inconsciente agirá por si.
Uma importante observação acerca do processo de organização perceptual é a diferenciação do campo perceptual. Muitas vezes, porém, compreendemos o elemento de uma forma distinta da sua realidade, caso, no elemento percebido não haja simetria, equilíbrio, estabilidade e simplicidade. Sendo assim, não conseguiremos decodificá-lo apropriadamente.
O modo com que a forma é apresentada pode, por exemplo, ocasionar fenômenos, como os que serão exemplificados a seguir:

Nesta peça, observamos uma imagem de algo que tende a ser definido como figura (neste caso, o trompete). Muito embora não haja um contorno contínuo, uma linha física que delimite este instrumento por completo, podemos imaginar sua forma. A esse fenômeno denominamos “fechamento” e trata-se de um princípio da teoria Gestaltista bastante comum, uma vez que determinadas formas apresentam-se de uma maneira que nos pareça completa, não comportando nenhum tipo de modificação, como se elas apenas fossem suficientes para compreensão, ou seja, completas em si. Além disso, observa-se presente a “continuidade”, que torna as formas seqüenciadas percebidas como um único elemento o que, ainda neste caso, refere-se ainda ao trompete.

Observam-se nesta composição, orientações visuais como a “fragmentação” do objeto trompete, ou seja, sua separação em peças à parte, as quais se relacionam, mantendo seu caráter individual. Existe também a aplicação da “opacidade”, no momento em que um dos elementos, neste caso parte do trompete, é ocultado pela caixa.
Na maioria dos casos, é possível observar mais de um elemento visual em uma peça. Sendo assim, outro fenômeno ainda presente nesta mesma peça é o conhecido como “figura e fundo”. Estes dois conceitos constituem a mais simples das formas de organização perceptual: em qualquer campo diferenciado, uma das partes sempre parece se evidenciar em relação às demais. Ao conjunto formado pelo trompete, pelas mãos e pela caixa damos o nome de “figura”, sendo identificado como “fundo” todo o restante.

O que nos permite diferenciá-los, proporcionando uma delimitação entre ambos é o contorno, uma limitação física que mais parece pertencente à figura, conferindo-lhe determinada forma. Podemos também observar o fenômeno “figura e fundo” na peça abaixo:



Uma das leis básicas da percepção visual estudada pela Gestalt e também visualizado na peça acima, consiste nas composições suficientemente claras e nítidas, o que chamamos “pregnância visual”. Podemos assim, dizer que as formas pregnantes (o botijão e a calça jeans) se destacam, chamando mais a atenção para si. Pregnância, traduz-se em equilíbrio, clareza, definição, unificação visual, rapidez de leitura e interpretação. Além desta, podemos verificar a existência de outro princípio, o qual tende a agrupar formas que estão próximas. Trata-se da “proximidade”
Ainda visualizamos, na peça acima a presença da “singularidade” que consiste em focalizar, numa composição, um tema isolado e independente, que não necessita do apoio de qualquer outro estímulo visual. A “singularidade” presente garante a focalização em único tema, botijão e calça, sem que sejam necessários outros estímulos visuais nesta peça.
Além disso, há a “ênfase”, destacando os elementos botijão e calça, em um plano de predominância uniforme.
Existe um dos princípios da Gestalt que consiste no agrupamento de imagens visualmente semelhantes pelo seu tamanho, cor, textura ou configuração. A este chamamos “similaridade” e verifica-se através dos coelhos de chocolate.

Além deste, verifica-se também o princípio da “continuidade”, onde os elementos seqüenciados terminam por serem agrupados. Ainda percebe-se a existência da “orientação”, que agrupa os elementos que indicam mesma direção ou realizam o mesmo movimento. Esses princípios podem ser verificados nos coelhos de chocolate apresentados na peça seguinte:

Ainda nesta peça, observamos a presença de elementos visuais, tais como a “complexidade”, devido à existencia de numerosas formas (neste caso, os diversos coelhos de chocolate) que dificultam a rápida leitura e exigem maior atenção. Além deste elemento visual, pode-se citar também o “acaso”, apresentando a informação visual de modo intencionalmente desordenado. Percebe-se ainda a “repetição” das formas, ainda tratando-se dos coelhos de chocolate.

Na peça abaixo, observamos os princípios de “fechamento” no que se refere à paisagem ao fundo, onde tendemos a completar a imagem. Além disso, há a “similaridade”, no que diz respeito às cores referentes ao chop, bigode do homem, cabelo da mulher e garrafa, criando uma relação entre estes elementos.
Existe também uma orientação visual que consiste em estabelecer relações de tamanho entre os elementos visuais ou dos elementos visuais com o campo ou ambiente nos quais se encontram inseridos. É chamada de “ênfase”. Nesta orientação, um dos fatores fundamentais para a determinação dessas relações de proporção são as medidas do ser humano, onde todos os objetos que são usados pelas pessoas são feitos com base nas proporções humanas.

Além de realçar o elemento chopp, pelo destaque dado à sua cor, tanto na taça, como na garrafa. Além disso, existe o “exagero”, que torna as medidas da taça de chopp muito maiores que o real, no intuito de intensificá-la.
Ainda podemos exemplificar como conceito básico da comunicação visual presente nesta mesma peça, a “profundidade”. Esta consiste em reproduzir a informação do ambiente, através da utilização dos efeitos de luz e sombra, característicos do claro-escuro, criando assim, uma idéia de dimensão.

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